Entre os dias 22 e 24 de maio de 2018 eu e meu amigo Tobler realizamos a travessia Garuva X Crista, na região da Serra do Quiriri no nordeste de Santa Catarina. O sistema atmosférico que comandava o tempo era uma massa polar, a mais intensa até então no outono de 2018. Neste relato serão destacados momentos da travessia, assim como observações sobre o tempo atmosférico.

 

A travessia do Pico Garuva (1292 m) X Monte Crista (967 m) possui uma extensão aproximada de 22 km. O início da trilha se dá no município de Garuva, próximo à entrada principal da cidade, a uma altitude aproximada de 40 metros, e o fim da trilha se dá na propriedade do seu Harry, base e entrada principal para subir o Monte Crista, também em Garuva. É uma das travessias mais realizadas na região, porém, não é a mais fácil, pois no primeiro dia é necessário subir mais de 1200 metros para atingir o Pico Garuva, e um pouco mais se quiser ir até a Pedra do Lagarto (1340 m). Terceira vez que eu fiz essa travessia e essa foi a primeira travessia da vida do Tobler.

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Perfil altimétrico da Travessia Pico Garuva X Monte Crista. Elaborado por Yara de Mello, 2018.

 

1° Dia – Base Pico Garuva X Pedra do Lagarto

Conseguimos uma carona com a minha irmã Débora de casa até a entrada da trilha. Iniciamos a subida próximo às 8 horas da manhã, estava frio. Era o terceiro dia de atuação da massa polar (centro da alta em 1024 mb/carta da Marinha do Brasil) na nossa região, o céu estava limpo, azul e sem nuvens, dia espetacular, maior nebulosidade apenas sobre o oceano. Logo no início da subida o Tobler começou a sentir a respiração muito ofegante e chegou a pensar que não iria conseguir ir até o final. Falei que poderíamos parar no primeiro acampamento antes do Pico Garuva (aprox. 1000 metros de altitude) e continuar no outro dia ou retornar. Aquilo o motivou, e com várias paradas alcançamos esse acampamento antes do meio dia. Como ainda era cedo, decidimos ir até a Pedra do Lagarto ou até onde desse. Chegamos à Pedra do Lagarto um pouco depois das 16 horas, ainda deu tempo de montar o acampamento e ver o Sol se pôr. Interessante que para direção de Garuva o céu estava ficando totalmente nublado, com nuvens abaixo de nós (um tapete de stratus), já para a direção do planalto e de Joinville na planície, estava tudo aberto, e assim continuou até a madrugada com um lindo céu estrelado e sem vento. Nuvens cirrostratus apareceram no céu, deixando a paisagem espetacular, fomos deitar cedo por causa do frio, antes das 20 horas.

 

2° Dia – Pedra do Lagarto X Cabeluda (Ida ao Morro dos Alemães)

A noite de sono foi péssima para nós dois, o Tobler passando frio e eu com um sono super leve, qualquer barulho me acorda, devo ter dormido umas 4 horas no máximo, acordei cedo, estava nublado (nuvens stratus) para a direção do litoral, e céu limpo (azul) para a direção do planalto, com algumas nuvens cumulus (aparentemente). Resolvi dar uma caminhada até o Morro dos Alemães (1363 m), já que eu nunca havia ido até lá. Encontrei pelo caminho algumas vacas e me impressionou o quanto elas têm medo de gente, muitas delas levantaram o rabo para defecar e saíam correndo, as fezes eram inclusive meio mole (gosto de observar as coisas hehe). Do Morro dos Alemães consegui avistar o abrigo de montanha do outro lado do vale do rio Três Barras, tinham algumas pessoas por lá, e a fazenda do Schneider no alto Quiriri. Quando retornei ao acampamento o Tobler ainda estava dormindo, a única coisa que ele havia comido até então eram sanduíches hahahahahahha. Desci até o rio para fazer meu almoço e vi dois montanhistas passando. Logo o tempo nublado predominou na Pedra do Lagarto e já não tínhamos mais visibilidade distante. Interessante à transição das nuvens, até o Bradador, mais ou menos, estava nublado, e logo depois na direção oeste o tempo estava mais aberto e estável. Além disso, nesse dia ventava um pouco mais, com a brisa dos vales para as montanhas (cumes) trazendo nuvens. Detalhe que em Joinville o céu estava azul.

Iniciamos a descida até a cabeluda por volta das 14 horas e chegamos ao acampamento próximo às 16h30min. Neste percurso pegamos um pouco de visual, mas logo o tempo fechou, e ficou assim até o nosso retorno, com pequenas aberturas.

 

3° Dia – Cabeluda X base Monte Crista

A noite de sono foi muito boa para mim, aproximadamente 7 horas, já o Tobler novamente passou frio. Acordamos cedo, organizamos as coisas e partimos antes das 8 horas. Chegamos ao seu Harry um pouco antes do meio dia e ficamos lá esperando o Urbano nos dar carona até em casa.

No fim, deu tudo certo, não choveu, pegamos um primeiro dia de visual, a trilha estava seca. O Tobler venceu esse desafio, deu a volta por cima e estava caminhando super bem. Comi um monte de macarrão enquanto o Tobler comeu um monte de sanduíche. O primeiro dia foi o mais exigente fisicamente, sem dúvidas. A trilha está bem batida, têm algumas bifurcações, por isso, é bom ter atenção. A pior parte da trilha toda, em minha opinião, é entre o platô 900 no Crista e a Clareira, porque têm muita erosão na trilha, degraus gigantes, força os joelhos. Na subida do Garuva é importante se abastecer com água antes de iniciar. Quando retornamos ficamos sabendo que as cidades estavam um caos, gasolina lá em cima, greve dos caminhoneiros. É uma indignação esse governo de m#. #foratemer. Em Joinville o tempo fechou como na montanha nos dias anteriores, nuvens baixas, a massa polar já estava se afastando para o mar, isso até o dia 25 quando escrevi este relato, mas o frio continuava.

 

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Vista da Pedra da Tartaruga. Foto: Yara de Mello, 2018.

Pico da Jurema. Foto: Yara de Mello, 2018.

Monte Crista. Foto: Yara de Mello, 2018.

Trilha entre o Pico Garuva e a Pedra do Lagarto. Foto: Yara de Mello, 2018.

Cidade de Garuva. Foto: Yara de Mello, 2018.

Campos do Quiriri. Foto: Yara de Mello, 2018.

Pedra da Tartaruga. Foto: Yara de Mello, 2018.

Pôr do Sol visto da Pedra do Lagarto. Foto: Yara de Mello, 2018.

Nuvens stratus sobre Garuva. Foto: Yara de Mello, 2018.

Acampamento na Pedra do Lagarto. Foto: Yara de Mello, 2018.

Nuvens subindo a montanha. Foto: Yara de Mello, 2018.

Campos do Quiriri próximo a Pedra do Lagarto. Foto: Yara de Mello, 2018.

Vacas correndo assustadas de mim, pecado. Foto: Yara de Mello, 2018.

Vacas assustadas observando os meus passos. Foto: Yara de Mello, 2018.

Vacas assustadas observando os meus passos. Foto: Yara de Mello, 2018.

Morro dos Alemães. Foto: Yara de Mello, 2018.

Fazenda da Ciser no Alto Quiriri. Foto: Yara de Mello, 2018.

Nuvens para direção da serra (leste). Foto: Yara de Mello, 2018.

Transição das nuvens para leste (Bradador escondido) e tempo aberto para oeste. Foto: Yara de Mello, 2018.

 

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