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Travessia da Serra do Tabuleiro (SC)

No final de semana dos dias 13 e 14 de Abril de 2019 realizamos a travessia da Serra do Tabuleiro (SC) em um grupo de 5 pessoas. Foram 25,5 km de caminhada em meio a campos de altitude, mata fechada, muitas taquaras e caminhos de vacas.

Travessia da Serra do Tabuleiro. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.

Eu estava planejando essa travessia da Serra do Tabuleiro desde o início do ano. Algumas amigas e amigos de travessias se interessaram na aventura, marcamos a data e o tempo ajudou! Fomos eu (Yara), Anderson Batman, Dai, Jeff e a Marina. Eu sabia que era uma travessia não tão frequentada, e por isso, mais desafiadora. Mas não imaginava que a mata estaria tão fechada em alguns trechos.

A travessia da Serra do Tabuleiro está localizada próximo à Florianópolis, inicia-se no município de São Bonifácio, passando pela propriedade do seu Gilson e da dona Inês, e termina em Santo Amaro da Imperatriz, próximo ao Café do Tabuleiro. É possível deixar o carro em ambos os locais, no Café do Tabuleiro é cobrado uma taxa de 10 reais por dia. A distância entre estas localidades por estrada é de aprox. 50 km e demora em torno de 45 minutos de carro.

Fomos em 2 carros, um saindo de Joinville (Jeff, Marina e Yara) e o outro de Jaraguá do Sul/Blumenau (Ander e Dai). Saímos de Joinville às 5 horas da manhã e chegamos no Café do Tabuleiro um pouco antes das 8 h. Organizamos as coisas, deixamos um carro e partimos para o início da trilha em São Bonifácio. Começamos a caminhada às 9h30min.

O primeiro trecho de caminhada é tranquilo, você cruza o rio Moller e alguns de seus afluentes em torno de 15 vezes, o desnível neste trecho é suave, a caminhada inicia em 612 m.s.n.m. e sobe até 800 m, percorrendo 3,7 km.

Observação: Na carta do IBGE o nome do rio está como Rio Moller, mas parece que ele é mais conhecido como rio Moll.

Rio Moller. Foto: Yara de Mello, 2019.
Direção do início da subida mais íngreme logo após o rio Moller. Foto: Yara de Mello, 2019.

A partir daí, como pode ser observado na figura abaixo, inicia um trecho de subida mais íngreme, você deve deixar de seguir o rio Moller e virar na direção leste (aproximadamente). Essa subida tem um aclive de 460 m até o cume do Morro das Pedras. Depois dos mil metros chega-se nos campos de altitude e a caminhada começa a ficar mais bonita. Em 3h45min de caminhada chegamos no cume do Morro das Pedras.

Trecho da trilha da Travessia da Serra do Tabuleiro onde inicia a subida mais íngreme. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.

O planejado era andar cerca de 12,8 km por dia, e acampar na metade do caminho.

Perfil de elevação da travessia da serra do Tabuleiro. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.

Depois do Morro das Pedras a trilha segue pelos campos, por um sobe e desce, e passa por alguns trechos de mata fechada. Quando já está bem próximo do acampamento, tem um rio muito bonito, mas o terreno ao lado é um banhado onde não dá para montar a barraca, andamos um pouco mais para cima, e logo tem outro rio, conseguimos um local mais seco para acampar por ali. Foram 7 horas de caminhada até lá, chegamos às 16h30min no acampamento.

Campos de altitude. Foto: Yara de Mello, 2019.
Pico no caminho entre o Morro das Pedras e o acampamento. Foto: Yara de Mello, 2019.
Rio ao lado do acampamento, afluente do rio Vargem do Braço. Foto: Yara de Mello, 2019.
Acampamento. Foto: Yara de Mello, 2019.

No dia seguinte acordamos cedo, às 6 horas, o objetivo era chegar em Joinville e Jaraguá antes das 22 horas porque seria a estréia da última temporada de Game of Thrones na HBO. Este segundo dia de caminhada tinha 3 subidas mais significativas antes de chegar no cume do Pico Tabuleiro. Iniciamos a caminhada às 7h20min.

2° dia de caminhada na serra do Tabuleiro. Foto: Yara de Mello, 2019.
Descanso em uma das subidas antes de chegar no Pico do Tabuleiro. Foto: Yara de Mello, 2019.
Serra do Tabuleiro. Foto: Yara de Mello, 2019.
Retrato de uma das subidas, Jeff e Marina. Foto: Yara de Mello, 2019.
Subida no 2° dia. Foto: Yara de Mello, 2019.
“Mini” tartaruga, se comparada com a da Serra do Quiriri. Foto: Yara de Mello, 2019.
Pico do Tabuleiro no momento que a Marina se desesperou de tão longe que parecia estar kkkk. Foto: Yara de Mello, 2019.
Totem de pedras com o Pico Tabuleiro ao fundo, à esquerda. Foto: Yara de Mello, 2019.
Pico do Tabuleiro ao fundo. Foto: Daiane Antunes, 2019.

A caminhada até o Pico do Tabuleiro é bem cansativa, por conta dessas subidas e também pelos trechos de mata fechada, taquara e bromélias espinhentas. Chegamos no cume às 11h30min. O tempo estava aberto, tivemos sorte porque não choveu em nenhum dos dois dias. Quando chegamos no cume já estávamos bem cansados.

Floripa vista do cume do Pico do Tabuleiro, a luz não estava boa pra fotografar. Foto: Yara de Mello, 2019.
Equipe no cume do Pico do Tabuleiro.

Iniciamos a descida às 12 horas e chegamos no Café do Tabuleiro às 14h30min. Foi mais um dia de caminhada longa (7h10min). A Marina, Dai e Ander chegaram um pouco depois porque o final da trilha foi cansativo. A realidade é que esperávamos uma trilha bem aberta do Pico Tabuleiro até a base, mas como a temporada de montanha mal iniciou, a trilha ainda não tinha sido aberta com facão. Tinha taquara do início da descida até praticamente o final, BEMMMMM cansativo e estressante esse trecho.

Avistei apenas uma cobra ao longo da travessia, lá nos campos. O Ander perdeu o relógio na trilha, na manhã do 2° dia próximo ao primeiro rio que atravessa depois do acampamento. Não encontramos ninguém durante a travessia.

Lá no Café do Tabuleiro ocorreu um episódio bem chato, estávamos nós cinco, o proprietário e 2 manézinhas da ilha, e uma delas roubou minha carteira com documentos, cartão do banco e dinheiro, de cima do balcão. Senti falta quando elas ainda estavam lá, e por isso, a ladra se livrou dos meus documentos enfiando dentro da caixa d’água da descarga do banheiro. A dona do local que encontrou logo depois. Uma vergonha, a grana foi roubada. O Café do Tabuleiro é um local super simpático e o dono faz uma pizza que dizem ser um sucesso.

Depois de levar o Ander e a Dai para São Bonifácio pra buscar o carro deles voltamos eu, Jeff e Marina para Joinville e consegui chegar em casa 10 minutos antes da estréia de GOT. Ihaaa.

Dentre as travessias que já fiz posso dizer que essa só perdeu para a Alpha-Ômega de mato fechado. Tanto os trechos de trilha nos campos quanto nas encostas são mais preservados que nos campos do Quiriri. É possível ver que é um local mais selvagem, por ser menos frequentado. Porém, em questão de beleza, achamos a região do Quiriri mais atrativa. Andamos forte, eu diria que se o seu objetivo é ir com mais calma curtindo a paisagem, faça em 3 dias.

DICAS IMPORTANTES: Nós nos cortamos feio no mato, por isso, super recomendo usar calça e blusa de manga comprida, e ter em mãos um par de luvas e duas bandanas (ecohead), uma para a cabeça e outra para usar no pescoço. O terreno nos campos é molhado em alguns trechos, um verdadeiro banhado, principalmente no rio antes do nosso acampamento (+/- no km 12).

Cortes feitos na trilha.

ÁGUA = Ao longo da trilha tem algumas fontes de água, mas recomendo carregar pelo menos 1 litro com você. No primeiro trecho de trilha do rio Moller tem bastante vestígio de presença de vacas, é importante tomar cuidado com a qualidade da fonte. Na descida do Pico do Tabuleiro só tem água no final da trilha, por isso, é importante abastecer na última fonte, que é antes da subida final para o cume.

Relatos interessantes sobre a travessia do Tabuleiro:

https://www.mochileiros.com/topic/21794-travessia-do-pq-est-da-serra-do-tabuleiro-sc-abr-mai13/

https://aventurebox.com/ejmaia/travessia-da-serra-do-tabuleiro-sc/report

5 Comments

  1. Muito bom o relato, obrigado! Pretendo fazer esse ano sua do esfriar mais!

  2. João Luís da Luz Brasil

    17 de abril de 2019 at 10:59

    Muito bom o relato, tenho interesse em fazer esse trekking se for possível mais algumas dicas agradeço, vocês usaram GPS para mapear a trilha? Abraço.

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