Em fevereiro de 2017 ocorreu um evento de precipitação intensa na região da Pedra Branca do Araraquara (1.222 m), localizada no município de Guaratuba (PR), que resultou em diversos deslizamentos na serra…

A precipitação acumulada em duas estações pluviométricas de Garuva (11 km de distância) para este período foi expressiva. Na estação convencional
(leitura realizada por um/a observador/a) da ANA a precipitação total entre os dias 10 e 13 de fevereiro de 2017 foi de 139,4 mm, com destaque para o dia 12 (99,4 mm). Vale lembrar que nas estações convencionais a leitura dos dados é efetuada às 9, 15 e 21 horas, por isso, boa parte deste acumulado de 99,4 mm pode ter ocorrido ainda no dia 11, entre às 21 e 24 horas.

Já na estação automática do Cemaden os totais de precipitação se concentraram no final de semana, dias 11 e 12 de fevereiro (123,4 mm). Entre às 17 e 21 horas do dia 11 choveu um total de 69,4 mm.

Considerando o percentil 99 (85,2 mm) para os dados diários da série histórica da estação convencional de Garuva (1977-2018), a precipitação acumulada no dia 12 de fevereiro de 2017 (99,4 mm) é considerada extrema.

Para os montanhistas e pessoas que costumam ir pra Curitiba com frequência foi um grande choque, porque a mudança na paisagem foi grande, como pode ser visto nas figuras a seguir.

Esses valores de precipitação que citei acima não podem ser generalizados para toda a área, pela minha experiência acredito que na serra do Araraquara especificamente deve ter chovido muito mais do que isso, pena não ter um pluviômetro lá em cima para registrar, mas a chuva deve ter passado dos 300 mm em curto espaço de tempo.

Outro fato que corrobora esse entendimento é que no mesmo período (verão) do ano anterior ocorreram diversos deslizamentos na serra do Quiriri na região do Ventania e Pedra da Divisa. Mais um evento de precipitação intensa, concentrada, mas que não foi registrado devidamente por não haver nenhum equipamento de monitoramento lá na serra. Na estação do Cemaden, localizada em Garuva, foram 300 mm registrados entre os dias 20 e 25 de fevereiro de 2016. São apenas 7 km de distância entre a região da Pedra da Divisa e o ponto mais alto da serra do Araraquara, que no ano de 2016 não sofreu com esse cenário de deslizamentos em massa.

Fotos do antes e depois dos deslizamentos na Pedra Branca do Araraquara. Fotos: Yara de Mello.
Imagens disponíveis no Google Earth de antes e depois da ocorrência dos deslizamentos na Pedra Branca do Araraquara. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.

A imagem abaixo é uma aproximação do curso d’água destacado na figura acima, afluente do rio São João que nasce na serra do Araraquara. É impressionante a quantidade de material transportado por estes rios na serra nestes episódios de chuva extrema.

Imagens do Google Earth mostrando o antes e o depois dos movimentos de massa de um trecho de um curso d’água que nasce na serra do Araraquara. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.
‎Foto tirada no dia 29‎ de ‎Julho‎ de ‎2017 no rio que cruza a trilha para o cume da Pedra Branca do Araraquara. Foto: Yara de Mello, 2017.
Serra do Araraquara vista de nordeste antes e depois dos deslizamentos. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.
Serra do Quiriri nas proximidades da Pedra da Divisa, antes e depois dos movimentos de massa que ocorreram no verão de 2016. Elaborado por: Yara de Mello, 2019.